
O artesanato tocantinense foi destaque, nesta sexta-feira, 15, no penúltimo dia de programação do Pavilhão da Cultura, espaço da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) na 26ª Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins 2026). Ao longo do dia, o público acompanhou a vivência com a mestra artesã Durvalina Ribeiro de Sousa, visitou o Espaço Saber Fazer e teve acesso a atendimentos voltados aos profissionais do setor, incluindo cadastros para posterior emissão da Carteira Nacional do Artesão.
A programação também contou com orientações técnicas sobre edital para participação no Programa Nacional do Artesanato, oficina sobre manejo sustentável do capim-dourado, pintura corporal, grafismos naturais, tingimento ecológico e criação de biojoias, além de apresentações culturais que movimentaram o espaço da Secult durante a feira.
Presente na Agrotins ao longo de toda a semana para acompanhar de perto as atividades no Pavilhão da Cultura, o secretário Adolfo Bezerra esteve acompanhado pelo secretário executivo Matheus Martins, pela superintendente de fomento e incentivo à cultura, Ana Cláudia Batista, e pela equipe da Secult. O gestor destacou que essa imersão diária e o acompanhamento integral marcaram o espaço como um ponto de encontro estratégico entre as diferentes expressões artísticas do Tocantins.
“O Pavilhão da Cultura mostrou, ao longo de toda a Agrotins, a diversidade e a força da produção cultural tocantinense. Neste penúltimo dia, tivemos mais uma programação muito rica, com artesanato, oficinas, atendimentos e apresentações que aproximaram o público dos nossos fazedores de cultura. Acompanhamos de perto esse movimento durante toda a semana e vimos como a cultura tem lugar nesse grande evento do Tocantins, dialogando com o território, com a economia criativa, com os saberes tradicionais e com a população”, destacou o secretário.
No Espaço Mestre Artesão, Durvalina Ribeiro de Sousa apresentou ao público as etapas da produção em capim-dourado e fibra de buriti, aproximando os visitantes dos modos de fazer que compõem a identidade tocantinense. Nascida em São Félix do Tocantins e de origem quilombola, a artesã possui mais de 30 anos de dedicação ao artesanato, com peças marcadas pela memória do Jalapão e pela relação direta com o território.
Durante a vivência, os visitantes acompanharam a tecitura de peças e conheceram o processo que antecede o produto final, desde o cuidado com a matéria-prima até a construção manual.
“Estar no Espaço Mestre Artesão é uma oportunidade de compartilhar o que a gente aprendeu ao longo da vida. Hoje, pude passar um pouco desse conhecimento aos visitantes, mostrando que o artesanato em capim-dourado não começa na peça pronta. Ele vem de uma história, da colheita, do cuidado com a semente, do tempo certo de coletar e do respeito ao território de onde vem a matéria-prima. Quando falamos de capim-dourado, falamos também das pessoas que fazem essa coleta e mantêm esse saber vivo”, destacou a mestra artesã.
A vivência atraiu a atenção da pesquisadora tocantinense Jéssica Cardoso Carvalho, mestranda em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP), que estuda o trabalho de Durvalina e a técnica de trançar o capim-dourado com a fibra de buriti. Durante a programação, Jéssica acompanhou o trabalho da mestra e aprendeu, na prática, etapas da costura.
“A gente já tinha tentado se encontrar algumas vezes, mas as agendas não batiam. Foi aqui, no Pavilhão da Cultura, que conseguimos finalmente nos ver. Para mim, estar ao lado da mestra Durvalina, acompanhar o trabalho dela e aprender um pouco da costura é muito importante para a pesquisa. Eu já estudo o capim-dourado há alguns anos, desde a iniciação científica e a monografia, e agora, no mestrado, estou pesquisando as técnicas artesanais. Então essa vivência faz parte do meu campo, mas também é uma oportunidade de aprender diretamente com quem mantém esse saber vivo”, afirmou Jéssica.
A participação de Durvalina encerrou a sequência de vivências do Espaço Mestre Artesão na Agrotins 2026. Ao longo da feira, o local recebeu artesãos de diferentes regiões do Tocantins, com demonstrações de técnicas, matérias-primas e processos criativos ligados às suas práticas.
Na terça-feira, 12, o artesão e artista visual Elpídio de Paula Neto, apresentou sua experiência com arte sacra, pirogravura e costura com seda de buriti. Na quarta-feira, 13, a mestra artesã Tereza Alves dos Santos, de Taquaruçu, compartilhou saberes sobre o trabalho com fibras naturais do Cerrado, especialmente buriti e babaçu. Já na quinta-feira, 14, o ceramista Wanderley Batista de Carvalho, que atua em Taquaruçu, apresentou sua experiência com o barro e a formação de novos profissionais por meio do projeto Batuque do Barro.
No período da tarde, o Pavilhão da Cultura recebeu uma oficina prática sobre manejo sustentável do capim-dourado, pintura corporal, grafismos naturais, tingimento ecológico com plantas locais e criação de biojoias. A atividade foi conduzida por Marileide Carvalho, Armando Sõpre Xerente e Marcos Aurélio Suwate Xerente.
“Receber esse convite da Secretaria da Cultura e participar do Pavilhão da Cultura é um privilégio para nós, povos originários. Quando falamos de povos originários, falamos também dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, que carregam conhecimentos importantes sobre natureza, cultura, organização, história e modos de viver. Esse espaço permite que a gente compartilhe esses saberes com o público da Agrotins e mostre que falar de agro também é falar de respeito à natureza, ao território e às culturas que fazem parte dessa história. Foi uma experiência muito positiva, inclusive com a participação dos estudantes, e esperamos continuar contribuindo nos próximos anos, trazendo outros temas ligados à nossa cultura, à nossa mitologia e à relação de respeito com a natureza”, destacou o Professor Dr. e liderança do povo indígena Akwẽ-Xerente, Marcos Aurélio Suwate Xerente.
Pela manhã, a programação focou em orientações institucionais. O professor Dr. Marlon Brito ministrou uma instrução técnica sobre editais para participação no Programa Nacional do Artesanato (PNA), esclarecendo dúvidas e detalhando os procedimentos necessários para que os artesãos acessem novas oportunidades nacionais. Em paralelo, profissionais do setor realizaram cadastros para a posterior emissão da Carteira Nacional do Artesão, ação fundamental para ampliar o acesso a políticas públicas voltadas ao segmento.
Durante todo o dia, os visitantes puderam conferir o Espaço Raízes, ambiente dedicado exclusivamente à exposição da rica produção artesanal tocantinense, reunindo peças que evidenciam a diversidade de técnicas e referências culturais do Estado.
A programação artística animou o Pavilhão desde a entrada, com a recepção lúdica das personagens da Cia. Final Feliz. Na sequência, o palco principal recebeu o grupo tocantinense Bate Palmaí, que embalou o público com um repertório de pagode. No fim da tarde, o encerramento do penúltimo dia de Pavilhão, ficou por conta do sertanejo e do modão, na voz da cantora Jamilly Lima.
Informações: Karla Rayane/Governo do Tocantins