
Como os mapas, as imagens de satélite e a análise do território podem ajudar a identificar irregularidades e proteger direitos? Essa foi uma das questões abordadas na edição do projeto Saber MP realizada nesta quarta-feira, 4, na sede do Ministério Público do Tocantins (MPTO), em Palmas. A atividade recebeu estudantes do curso de Geografia da Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus de Porto Nacional, para conhecer a contribuição da ciência geográfica no trabalho institucional.
Com o tema "Da Lei ao Território: O Papel do Geógrafo no MPTO", a palestra foi ministrada pelo analista ministerial especializado Bruno Machado Carneiro, geógrafo e doutor em Gestão Territorial e Ambiental pela Universidade de Brasília (UNB). Durante o encontro, Bruno Machado apresentou experiências profissionais e pesquisas que demonstram como o conhecimento geográfico pode subsidiar a atuação do Ministério Público, especialmente na defesa do meio ambiente, no enfrentamento de irregularidades e na garantia de direitos das comunidades.
Ao compartilhar sua trajetória, Bruno Machado explicou como ferramentas de geoprocessamento, sensoriamento remoto e análise de imagens de satélite permitem identificar alterações na cobertura vegetal, acompanhar o uso e a ocupação do solo e produzir informações técnicas para investigações. O analista ministerial destacou, porém, que a tecnologia precisa estar associada à verificação em campo e ao conhecimento das particularidades de cada território.
Um dos exemplos apresentados envolveu investigações sobre possíveis irregularidades em processos de compensação de reserva legal no Tocantins. A partir do cruzamento de imagens de satélite, documentos ambientais, dados territoriais e informações coletadas em campo, foi possível identificar indícios de fraudes relacionadas à autorização de desmatamentos no Cerrado.
O geógrafo também compartilhou experiências de estudos na bacia do Rio Formoso, região marcada pela expansão da atividade agrícola e por conflitos relacionados ao uso dos recursos hídricos. Nesse contexto, demonstrou como a análise espacial pode contribuir para compreender a dinâmica da produção rural, acompanhar as mudanças no território e oferecer subsídios para decisões judiciais e para a atuação dos órgãos de proteção ambiental.
A palestra também apresentou novas possibilidades de atuação da Geografia no Ministério Público. Além das investigações ambientais, Bruno Machado abordou o potencial da cartografia social e da integração de dados territoriais para identificar demandas de comunidades tradicionais, orientar políticas públicas e ampliar o acesso a direitos.
Entre as experiências mencionadas, destacou iniciativas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e à participação de pequenos produtores no fornecimento de alimentos para a rede pública de ensino. Segundo o geógrafo, o conhecimento técnico pode ajudar a identificar municípios que ainda não acessam determinadas políticas públicas e apoiar a atuação das Promotorias de Justiça na busca por soluções.
Para Bruno Machado, a atuação do geógrafo vai além da elaboração de mapas e da produção de análises técnicas. O profissional também contribui para que a instituição compreenda as dinâmicas sociais, econômicas e ambientais que se desenvolvem no território. "O avanço das ferramentas de inteligência artificial e das tecnologias de processamento de dados amplia as possibilidades de atuação, mas não substitui a análise crítica nem a experiência de campo", pontua.
A atividade também proporcionou aos acadêmicos uma visão mais ampla sobre as oportunidades de atuação profissional para quem escolhe a Geografia. A estudante Giovanna Matos de França, que cursou a licenciatura e atualmente também está no bacharelado, avaliou que a experiência ajudou a ampliar sua percepção sobre o mercado de trabalho.
"Quando a gente vai para a licenciatura, visita as escolas e faz os estágios. Mas, quando volta o olhar para o bacharelado em Geografia, não enxerga tantas opções. Acho muito importante ter uma palestra explicando que o geógrafo não vai trabalhar somente com geoprocessamento ou no IBGE, mas também pode atuar em outras áreas, como no Ministério Público", afirmou.
Para a estudante, conhecer a experiência profissional de Bruno Machado foi uma oportunidade de descobrir caminhos que ainda não considerava para a carreira.
O Saber MP é um projeto do Ministério Público do Tocantins que aproxima a instituição da comunidade acadêmica, por meio de atividades que apresentam suas atribuições, áreas de atuação e formas de contribuição para a sociedade.
A iniciativa percorre diferentes municípios tocantinenses e promove o diálogo com estudantes universitários, incentivando o conhecimento sobre o papel do Ministério Público na defesa dos direitos e dos interesses da população.
Instituições de ensino interessadas em receber o projeto podem entrar em contato com a Diretoria de Comunicação Social (Dicom) pelo e-mail dicom@mpto.mp.br.