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Defensoria Pública promove diálogo com jornalistas e comunicadores sobre pautas de gênero

Em alusão ao Agosto Lilás – mês de mobilização pelo fim da violência contra mulheres – o encontro abordou uma comunicação pública e nos veículos de imprensa exercida de forma responsável.

31/08/2026 às 10h24
Por: Redação
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Parte dos profissionais de comunicação que participaram do encontro realizado na sede da Defensoria Pública. Foto: Marcelo Les / Comunicação DPE-TO
Parte dos profissionais de comunicação que participaram do encontro realizado na sede da Defensoria Pública. Foto: Marcelo Les / Comunicação DPE-TO

A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) promoveu, na sexta-feira, 28, juntamente com a Secretaria Municipal da Mulher de Palmas e o Sindicato dos Jornalistas do Tocantins (Sindjor/TO), um encontro com jornalistas e comunicadores para discutir a cobertura de pautas relacionadas a gênero e aos direitos das mulheres. Em alusão ao Agosto Lilás – mês de mobilização pelo fim da violência contra mulheres – o encontro abordou uma comunicação pública e nos veículos de imprensa exercida de forma responsável, qualificada e livre de práticas que possam vir a contribuir para a revitimização de mulheres em situação de violência.

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"A cobertura de pautas de gênero e direitos das mulheres", tema central do encontro, reuniu mais de 30 profissionais em atuação e em formação na área de comunicação. Os trabalhos foram realizados na sede de atendimentos da Defensoria Pública, em Palmas, com explanação da coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem) da DPE-TO, defensora pública Flávia Hardt Schreiner; e da jornalista e professora na Universidade Federal do Tocantins (UFT), Cinthya Miranda. A mediação foi realizada pela jornalista, radialista e secretária da Mulher do Município de Palmas, Chayla Félix.

A dinâmica desse debate, em formato de diálogo participativo, permitiu avançar nas discussões de forma efetivamente ativa, com ampla e qualificada participação das pessoas presentes. Em diferentes momentos de falas, houve a expressão coletiva da preocupação e disposição dos profissionais em informar melhor e com ainda mais qualidade sobre direitos e com atenção diferenciada nas pautas que envolvem a cobertura de casos de feminicídio e outros tipos de violência contra meninas e mulheres. Também houve o destaque à iniciativa da Instituição, considerada inédita no Tocantins.

A jornalista Ana Carolina Azevedo [foto abaixo], que atualmente atua como repórter em um site de notícias, disse ter visto no evento uma oportunidade para que seja fomentada a conscientização de profissionais frente a pautas de gênero. "Nós somos formadores de opinião, nós somos responsáveis por levar informações que, muitas vezes, não chegam a lugar nenhum, ou se chegam é uma experiência incompleta. (...) Achei importante esse processo de formação. É um caminho necessário para discutir a dignidade da vida das mulheres", disse.

Já a jornalista Munyque Fernandes, que atua em assessoria de imprensa, destacou a relevância dos conteúdos apresentados também para a atuação em comunicação pública parlamentar, área em que atua. "Como assessora, posso contribuir com uma comunicação muito mais assertiva para ações que já destacam e valorizam as mulheres, mas sempre pode ser aperfeiçoada", afirmou.

Defensoria Pública

"Ler, ver e consumir informação sobre a garantia de direitos previne violências e acho que esse momento de discussão tem essa conotação. (...) Tenho certeza que esse espaço, esse momento, será muito enriquecedor e vai nos ajudar a ter balizas e diretrizes pra melhorarmos nossa atuação nessa temática que nos é tão cara", disse o defensor público-geral do Estado do Tocantins, Pedro Alexandre Conceição Aires Gonçalves [foto abaixo], acrescentando: "Gosto muito que esse momento tenha a Defensoria Pública e contem sempre com a instituição como espaço de debates e como parceira", destacou.

Coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), a defensora pública Flávia Hardt Schreiner reforçou o papel da imprensa na proteção das mulheres. "Esse momento é tão importante, principalmente diante dos últimos números do escalonamento da violência contra a mulher. A imprensa é parceira do Poder Judiciário, ela é parceira dos órgãos de acesso à Justiça, das nossas instituições e uma imprensa ética faz parte da rede de enfrentamento à violência contra a mulher."

Também fizeram uso da palavra a 1ª subdefensora pública-geral Estellamaris Postal, e a jornalista e diretora de Comunicação na DPE-TO, Cléo Oliveira. Ambas destacaram a necessidade da continuidade do tema em questão com os comunicadores e agradeceram a presença e interesse dos profissionais.

Essa necessidade de se manter o debate além de datas e períodos emblemáticos foi amplamente destacada durante o encontro, oportunidade em que a Defensoria Pública se colocou à disposição para a realização de outras iniciativas que possam colaborar para a formação e ampliação do tema junto a jornalistas, comunicadores e acadêmicos de Jornalismo.

Mulheres em pauta

Para a presidente Sindjor, Alessandra Barcelar, a proposta do encontro surgiu diante da necessidade de debater sobre a maneira como as informações relacionadas à violência contra as mulheres são apresentadas ao público. "A ideia era trazer o jornalista para refletir sobre a própria prática e sobre o seu trabalho, se questionando como eu, enquanto jornalista, posso contribuir para o combate à violência contra as mulheres. Toda essa inquietação nos levou a realizar este evento, buscando aprimorar nossa atuação ao compreender como conduzir esse processo sem utilizar termos inadequados."

Cinthya Miranda, por sua vez, destacou que o debate contribuiu para a formação de profissionais capazes de compreender as especificidades da violência de gênero, para que sejam assertivos no registro. "A gente precisa de letramento, precisa de formação dentro da universidade, e para além dela. Este evento foi para mim uma formação importantíssima neste sentido".

Já Chayla Félix classificou o encontro como um marco e defendeu que a luta em defesa dos direitos da mulher deve ser feita em uma união de esforços: "O enfrentamento da violência contra a mulher não pode ser feito isoladamente. Não é uma tarefa de apenas uma instituição, mas, sim um esforço coletivo que precisa ser construído a muitas mãos, com cada setor cumprindo o seu papel de informar, acolher e orientar a mulher em situação de violência. A Defensoria Pública é fundamental nesse processo por sua capacidade de alcançar locais onde o Estado muitas vezes não chega. Por isso, essa parceria é importante", afirmou.

Da Defensoria Pública, também estiveram presentes: o assessor especial de Relações Institucionais, defensor público Marcello Tomaz de Souza, e a presidente da Associação de Defensoras e Defensores Públicos do Estado Tocantins (Adpeto), Karla Letícia de Araujo Nogueira.

Perfil das debatedoras

Flávia Hardt Schreiner

Defensora pública, coordenadora do Núcleo Especializado em Defesa das Mulheres (Nudem), doutora em Direito e mestre em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo.

Cynthia Mara Miranda

Representante do Sindjor/TO na Comissão de Mulheres da Fenaj, jornalista, professora da UFT, integrante do Grupo Assessor da Sociedade Civil na ONU Mulheres Brasil e Doutora em Ciências Sociais.

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